quinta-feira, 21 de julho de 2011

22 de Julho: Um dia depois do pôr do sol.


Não sou o mesmo de ontem, nem serei o mesmo amanhã, e também não serei o mesmo se tiver um sorriso seu, serei alguém muito melhor. Hoje sou o retalhamento congestionado na arte de ser pedra, forte e frio por fora, fraco e sedimentado por dentro. Depois de secar as lágrimas não a mais o que regar pra germinar. Já me acostumei em ser a figura do oprimido e conformado, mesmo que pareça errado, o correto não da pra ser imposto, só cobrança. Não tem mais o que cobrar, nem mais o que acertar. Sacrifícios são feitos inacabados da obra da vida que se perdeu para ceder a uma conquista mais importante. A minha é ver o seu sorriso, mesmo que não seja pra mim. Ainda posso ser alguém melhor...

Faz um ano, e sei que sempre que cair nessa data eu verei a superação como sinônimo de liberdade dessas correntes que um dia me prenderam na amargura de olhar nos seus olhos, e não ver mais o brilho que alimentava uma das alegrias dentro do meu peito. Sem contar com uma "bandeira branca", fazer questão de recuperar o que tinha, é uma opção que só passa na minha cabeça nos sonhos, onde perco total controle dos meus pensamentos e memórias, e lá ainda vejo aquele brilho, que hoje não vale ser lembrado. Pra que alimentar monstros quando um deles é a ilusão.

Você tem o meu silêncio pelo que tanto clamou. Eu tenho seu desprezo, o que sempre neguei. A troca só é justa quando há uma compensação, e a minha é de saber que em algum lugar você está sorrindo. É saber que hoje, 22 de julho, eu sou alguém melhor... e em 21 de julho ainda haverá um pôr do sol.

(Andrew Albuquerque)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Homem-Pombo


Vaguei na vida festejando
atirando migalhas aos pombos
Todos corriam atrás,
Sempre querendo mais e mais...

Fui mantendo pombos gordos, fortes
e fiquei fraco.

Os pombos fugiam se afastavam,
as migalhas haviam acabado.


Comecei a me misturar com pombos,
asas e bicos foram surgindo em mim,
e hoje corro atrás de migalhas.

(Andrew Albuquerque)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Toque.



Na atormentada dor que sofres
suporta a força de uma nevasca fria,
o corpo pemanece sólido,
o coração quente,
mas a mente sempre confusa,
local onde rondam nuvens cinzentas,
de dúvida e de desespero,
o medo de sentir dor, com medo de não sentir a dor.

A monotonia do nada, a nada deverás
as peças não se encaixam,
as roupas não cabem na mala,
não há atração positiva nem negativa,
porque o nada é neutro e não resulta sentimento.

A mente requer inspiração,
atitude de não permanecer na redoma do conformismo,
na qual arte de viver gera experiências ruins e boas,
digere-se, e se transforma em essência humana,
coisas simples que tocam
e que unem dois lados, o lado certo do errado,
o destino e o acaso.

(Andrew Albuquerque)

Samba dos defuntos.


Um silêncio no túnel dos perdidos
dias frios, dias quentes

Não se houve a voz de quem se cala
pois consente com as meias verdades
de um povo inconsequente.

Assim sendo,
um erro justificado por outro,
agora se está vivo
amanhã se encontra morto
na beira de um rio
na vala de um esgoto.

Ninguém se acusa e quem vê tem medo de acusar,
esperam suas vidas poupar.

É como uma dança,
o "Tango da Morte", "O Samba dos Defuntos".
Quem errar o passo e sair do ritmo
vai virar presunto.

(Andrew Albuquerque)

Pragmatismo do amor.


Um pedido de alento aos corações que encontraram uma metade que não encaixa, mas mesmo assim não foram impedidos de amar. Os caminhos para encontrar a essência do que se pode dizer sobre o descobrimento e a opção de amar. O ponto que se define o quanto é finito escolher alguém pra se viver.

Não se podem compreender esses trajetos eles são conturbados e podem chegar em forma de caos para alguns. A pergunta é, o quanto o amor pode ser limitado? Não existe nascente em que ele nasça, mas assim como um rio pode ter outro rio como foz para fazer o deságüe de suas águas. O coração faz a mesma coisa com o amor: ele percorre um longo percurso, ganha força, para quando chegar à sua foz poder perpetuar esse acúmulo de sedimentos que foi levando durante todo o caminho só que em forma de paixão, afeto, carinho, confiança, gerando um ciclo de sentimentos que o definem, nunca perdendo seu poder de infinidade.

As águas de um coração rodam o mundo com uma intensidade constante. Em seus variados símbolos, gestos, o amor está presente e ele não exige forma. Imagine um pedaço de argila no qual um artista se sente inspirado a modelar o que lhe vêm à cabeça. Nesse momento não há exigência de regra de estética nem nada como uma receita, só existe o artista e sua criatividade, sua paixão e como ele vai representar concretamente aquilo que seu corpo pulsa e quer expelir pra fora, é assim que deve ser um momento de intimidade entre um casal, o sexo nada mais é do que uma forma concreta de se expressar o que é o amor, e uma obra de arte da vida, para saber modelá-lo é preciso sentir de dentro para fora e não de fora para dentro, mas ao mesmo tempo ele deve ser abstrato, surreal, distorcido para poder se adaptar a arte que completa a alma.

Um apêlo a si.




Você pode andar em linha reta
mas me desculpe eu prefiro as curvas
Pode até pegar o seu atalho
mas não irá me passar...
Pois o verdadeiro caminho da vida
é infinito...
E finito é pensar que felicidade
é vencer...

Eu não conheço meus passos
Só vejo meus erros
Mas eu sou capaz...
Não sei bem o que faço
As vezes nem me esforço
Estou teimando em tentar.

Apesar de embaraços
Sei que meu futuro
É um eterno brilho
Em meu próprio olhar
Não sei se é egoísmo
ou satisfação...
Mas egocentrismo pra mim
É convicção...
ou a última chance,
de se dá uma chance.

Da mesma forma que a repetição virá rotina
Ela serve pra enfatizar sentimentos
Que só saberá ser valorizado
No momento em que você pensar
Que não lhe resta nada
E derrepente eles irão explodir na sua frente
Em forma de mágica ou milagre.

Então pra resumir, uma observação:
Chuva de emoções,
Não existe proteção
Pefuram guarda-chuvas
Atingem corações.

(Andrew Albuquerque)

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Berço da Intimidade.

"Mal permitia o toque de seu corpo, lutava a resistir tão tímida, barreira difícil de se quebrar, não contava com meus dotes em decifrar seus pontos com toques lentos e fortes que susurrava-lhe gemidos, um contato visual de alma com alma, transformava um simples abraço no nascimento de um único ser.
Apartir daí de santa nada tinha comigo, quando os olhares curiosos não estavam a espiar, era indomável, seu corpo pulsava de tal forma que sua pele era ardente e chegava a queimar, puro fogo debaixo daqueles finos lençóis molhados de suor, no qual nossas respirações misturadas fazia ambos corações baterem acelerados, na mesma intensidade.
A Sintonia era bela com gestos delicados de puro afeto e cumplicidade amorosa, uma admiração que fazia o ato revigorar de maneira gradativa, uma inquietude ao toque que crescia com a vontade de explorar os sentidos um do outro e atingir o mesmo estado de êxtase, que devastava-lhes as energias acumuladas para a coclusão final, a de se entregar completamente. Não houve sexo mas houve magia...
Ao final relaxava por cima do meu corpo e a sensação de conforto era tamanha; saciados pelo prazer da carne, sorrisos nos rostos e uma explosão de felicidade dificilmente contida ... não nos custava nada repetir.
Um ritual que zelo definitivamente a conexão pemanente das almas sustentada agora por três pilares: corpo, mente e espírito. Esse foi o nascimento da intimidade. Seu beijo passo a ser a fuga da realidade mundana, sua companhia minha realização e o seu amor meu bem mais valioso."


(Andrew Albuquerque)